A Vida Mata a Pau

No futebol: Revoluções a cada evento

Com todo respeito ao jornalista Caue Fonseca, tomo a liberdade de publicar aqui o texto da matéria feita por ele na ZH de Domingo, na qual palpitei. Ficou tão bom que até parece que eu entendo de futebol. Aproveitem “O Legado da Copa”.

D’Alessandro é um meia argentino, baixinho, canhoto e habilidoso. Darío Conca é um meia argentino, baixinho, canhoto e habilidoso. Lionel Messi é um meia argentino, baixinho… Como os três, há centenas de diferentes níveis de talento, mas cujo surgimento estaria ameaçado não fosse outro argentino, baixinho, canhoto e habilidoso ter posto a mão na bola ao ver o goleiro inglês Peter Shilton saltar em sua direção na Copa de 1986.

A forma como Maradona serviu de norte para uma geração de argentinos, que nesta década se espalharam por gramados do mundo, mostra como um estilo de jogo ou de um jogador em Copa do Mundo é o que há de mais determinante no futebol. Na mesma Copa e na mesma seleção, por exemplo, surgiu o esquema 3-5-2, criado por Carlos Bilardo e que até semanas atrás enlouquecia os colorados aplicado no Inter de Jorge Fossati.

Para Eduardo Menezes, autor do livro “A Copa que Interessa”, o futebol passou por duas revoluções causadas por Mundiais: em 1954, por meio da Hungria, e naquela que considera “a inauguração do futebol moderno”: a Holanda de 1974.

“Aquela Hungria foi uma pré-Laranja Mecânica. Foram eles quem inventaram o aquecimento. O resultado foi 2 a 0 no placar antes dos 30 minutos do primeiro tempo em praticamente todos os jogos daquela Copa”, ressalta.

Lycio Ribas, autor de “O Mundo das Copas”, menciona a preparação de goleiros que teve origem nos Mundiais. Foi com o soviético Lev Yashin, que disputou quatro copas. “Antes de Yashin, um goleiro dificilmente saía do gol para interceptar a bola. O treinamento específico para a posição também começou ali, bem como a exigência de ter um jogador alto na posição. Yashin tinha 1,89 cm, um gigante para a época”, diz Ribas.

Vencer o Mundial não é pré-requisito para eternizar um modelo. Em uma competição curta, mais vale para as gerações seguintes revolucionar do que vencer. As exaltadas Hungria e Holanda, por exemplo, foram batidas pela pragmática Alemanha Ocidental. Razão que leva Ribas e Menezes a descartarem o futebol competitivo de Dunga como algo passível de ser difundido, mesmo que triunfe na África.

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4 Comments so far

  1. [...] This post was mentioned on Twitter by Daniel Marvel, Eduardo Menezes. Eduardo Menezes said: http://bit.ly/9865rW texto no qual palpitei na ZH de Domingo. [...]

  2. jOão vIcente on June 7th, 2010

    Fala Menezes,

    Cara, parabéns pelo teu livro… só fiquei sabendo agora… sou bem ratão…mas garanto que o Fi também vacilou… isso é que me conformta… com certeza vou comprâ-lo hoje! meu irmão, que saudades!!!

    abraço, joão (outrora dos morangos).

  3. Renata on June 8th, 2010

    vc não vão fazer uma versão do Bronze Brasil pra essa Copa?

  4. Ramiro on June 10th, 2010

    Tchê: fala das camisas que o Grêmio pos à eleiçã!

    Abrass…
    Parabéns pelo livro… Sempre djenial! :)