Faça Bikini não faça guerra
Então, velho Jung, chupa essa:
Bikini antes de ser uma peça de roupa que fica muito bem nas brasileiras, era o nome de um atol no Pacífico. Elas só entraram no mapa quando o governo americano as transformou em campo de testes para seus artefatos nucleares - como podemos ver no vídeo abaixo, onde o coral é transformado em poeira radioativa:
Tais explosões tiraram a núvem de dúvida que se tinha nos anos 50 sobre a tecnologia das bombas, e ajudaram a desenhar como seria o horror de um conflito global nas feridas dos habitantes das ilhas. Mesmo evacuados com antecedência, a população de parte da Micronésia foi exposta a radiação em níveis elevados e todas as cracas que isso gera. A ilha principal do arquipélogo está inabitável para todo o sempre.
Por isso, a palavra Bikini virou sinônimo de guerra atômica.
Outro sinônimo para a mesma hecatombe que você já pode ter escutado por ai é DEFCON, sigla para Defense Readiness Condition. Como o nome quase diz, o termo é uma graduação do quão as defesas norte-americanas estão ameaçadas, e se estamos perto de uma Terceira Guerra Mundial.
O termo conta com um apêndice numérico que denota o grau de alerta. A contagem começa em DEFCON 5, usado em periodos de paz, e vai até o DEFCON 1, que jamais foi acionado.

O nível mais punk já assinalado foi DEFCON 2, durante a crise dos mísseis de Cuba. Até onde sei, o nível é decidido a acionado na Sala de Guerra do Pentágono, aquele puxadinho com computadores e mapas que sempre vemos em filmes de guerra (pausa para rir com Dr. Fantástico):
Inspirado no sistema americano, os britânicos também criaram seu alerta com códigos de Guerra. Não longe do conflito e perto da Russia, as forças armadas da raínha estabeleceram um sistema de graduação semelhante ao DEFCON, só que com 5 níveis coloridos. São eles, em ordem crescente de alerta: branco, preto, preto especial, ambar e vermelho.
Tinham tudo, cores, painéis e armas, só careciam de um nome. Então, em 1970 resolvem fazer um sorteio entre todos os substantivos da língua inglesa para escolher o nome do sistema. E o computador sorteou, entre os milhares de termos do dicionário, a palavra Bikini.

Resumidamente, o caminho da coincidência seria assim:
- Testes nucleares em Bikini nos anos 50.
- A palavra Bikini vira nome de uma roupa de banho, por ser explosivo e chocante.
- A palavra deixa de ser um nome próprio e vira substantivo.
- A palavra é sorteada para designar o estado de Guerra nuclear.
Apenas acaso e estatística, mas bom de contar.
Por motivos que ignoro, meu cérebro acionou sua jukebox e pôs-se a tocar “Bikini Girls with Machine Guns”, do Cramps, enquanto eu lia esse texto. Incrível que, entre referências geográficas, políticas, sexuais, nucleares e anedóticas, eu tenha lembrado justamente de um rock’n'roll…
OK, desculpem. Comentários melhores logo abaixo.
Natusch: só com rock n roll pra aturar isso ai - entendo!
“E o computador sorteou, entre os milhares de termos do dicionário, a palavra Bikini.”
sério, que farsa esse computador.
dante: pc de tarado.
ah, sim:
TEU PAI TÁ AQUI, antes que eu me esqueça.
DEFCON me lembrou na hora o filme “Jogos de Guerra”, com o eternamente jovem Matthew “Ferris Bueller” Brodderick. Aliás, um filme interessante. Se fosse refilmado hoje, teria 1 hora a menos, com certeza, graças aos avanços da banda larga e dos CPU’s :D
Flávio: GRANDE FILME! Aliás, estou escrevendo sobre FILMES COM DEFCON. Melhor aplicação do TORRENT e dessa sensacional banda larga que nos cerca NAS NUVENS!!!!!
Valeu pela visita :D
É por isso que as criaturas marinhas mais esquisitas da Terra (Bob Esponja, Lula Molusco, Patrick) moram na Fenda do Biquini ;D
Natusch está morto.
Longa vida a Natusch.
x_x
Muito bom, principalmente a citação de Dr. Fantástico!
Valeu, Eduard!
[...] Texto: Coincidências [...]