Agora que a urina foi lavada das ruas de Salvador, que os confetes foram varridos da Sapucaí e que a gonorreia insiste em permanecer na sua uretra, chegou a hora de escrever sobre uma outra tradição de carnaval, bem menos conhecida do público brasileiro: o Royal Shrovetide Football!
Todos os anos, na terça-feira de Carnaval, a população da cidade inglesa de Ashbourne se reune para disputar um jogo de futebol que, segundo o repórter da Sports Illustrated Franz Lidz, é uma mistura de rugby, futebol e guerra civil. Trata-se da forma de futebol mais antiga, mais pura e mais louca ainda sendo jogada. Desde o século 12, o jogo é praticado anualmente na pacata cidade inglesa, ainda que suas origens sejam obscuras. O objetivo, como em qualquer outra forma de futebol, é levar a bola até o gol adversário. Os Down’ards (os de baixo) tentam levar a bola para cima do rio que cruza a cidade de Ashbourne, enquanto os Up’ards (os de cima) levam a bola para baixo.
A lenda mais popular afirma que a brincadeira começou quando as cabeças de criminosos executados eram atiradas ao público sanguinário, que a partir daí, saía rua abaixo distribuindo saudáveis pontapés na cabeça tingida de vermelho-justiça do apenado. Desde então, a tradição evoluiu para um passatempo mais organizado, com uma bola de couro recheada de cortiça substituindo os simpáticos crânios humanos de outrora. Apesar disso, a essência do jogo segue sendo intensamente medieval, e as regras são quase inexistentes. São proibidos assassinatos, disputas de bola em cemitérios e qualquer uso de veículo motorizado. No entanto, as restrições ficam por aí mesmo, e todo o resto é permitido.
Neste pequeno trailer de um documentário sobre o Shrovetide Football, é possível ter uma ideia do jogo:
A Pré-História do Rugby
O futebol nasceu nas ruas, como podemos ver no videozinho. O Royal Shrovetide não é a única forma de futebol-de-massa sendo praticada no mundo. Por toda a Europa, jogos semelhantes existem, e é possível afirmar que tanto o futebol como o rugby evoluiram de uma caótica sopa primordial de socos, pontapés e safanões em busca de uma bola.
Em meados do século 19, a bagunça das ruas foi levada para as escolas particulares da Inglaterra, onde serviram de recreação para os rapazes endinheirados do Reino Unido. Cada escola tinha suas próprias regras e, quando os estudantes deixavam as suas escolas para entrar na Universidade, a confusão imperava. Os alunos queriam continuar jogando futebol, mas entravam em desacordo com colegas que estudaram em outros colégios e, portanto, conheciam outras regras. A criação de um código de regras unificado se fazia urgente.
No ano de 1848, em um encontro realizado na Universidade de Cambridge, representantes das escolas de Eton, Harrow, RUGBY, Winchester e Shrewsbury entraram em consenso quanto às regras que iriam jogar durante suas vidas acadêmicas. Esse conjunto de regras ficou sendo conhecido como as Regras de Cambridge. Foi fundamental para a elaboração das leis do Futebol, que nasce oficialmente em 1863 com a criação da Football Association da Inglaterra.
Uma das principais regras acordadas em Cambridge determinava que era proibido correr carregando a bola nos braços, bem como derrubar jogadores adversários através de chutes, rasteiras e empurrões. Essa decisão desagradou os representantes da Rugby School, que não embarcaram na fundação da Football Association. Ao invés disso, os dissidentes formaram a sua própria associação três anos mais tarde, que se chamaria Rugby Football Union.
Desde então, os dois esportes nunca mais compartilharam a mesma bola.
No último dia 31, em Mar Del Plata, na Argentina, foi realizada a 12a. Edição do Torneio de Sevens Playero. O campeonato contou com a participação de 24 equipes, que disputaram o título em partidas de Rugby Sevens nas areias da praia de Bahia Varese. Quem levou o troféu este ano foi o San Cirano, que bateu o Olivos por 15 a 12 na final.
Em uma notícia menos importante, o torneio também contou com a realização do 2º Torneo Rameiras, digo, Remeras Mojadas Girl’s Contest 2010. Não sabemos precisar exatamente o que as garotas estavam disputando no Torneo, mas olhando as fotos abaixo, não podemos negar que o resultado foi empate técnico.
‘
80 Minutos gostaria de lembrar que o rugby sevens estará nas Olimpíadas do Rio em 2016. É fundamental, portanto, popularizar a modalidade o quanto antes em nosso país. Preferencialmente, através de incentivos à prática da rameirice molhada, incluindo aí pesados investimentos em baldes, camisetas brancas e mangueiras.
Escrevi uma matéria no jornal CineSemana explicando o rugby mal e porcamente para o público leigo. Certamente o pessoal praticante vai identificar um monte de imprecisões, mas a intenção não era dar uma aula sobre o esporte, e sim dar um panorama geral para a pessoa que vai assistir ao filme do Clint Eastwood, sobre o Nelson Mandela e a Copa do Mundo de Rugby de 1995.
No blog do Jornal, você pode ler a matéria na íntegra, que saiu na edição impressa.
Para quem quiser dar uma olhada na matéria em todo o seu esplendor diagramado e impresso, com o charme adicional de um monstruoso erro de revisão (vou deixar vocês descobrirem!), coloquei aí embaixo (clique para ampliar).
Em breve, uma resenha completa sobre Invictus, o filme de rugby dirigido por Clint Eastwood e estrelado por Matt Damon e Morgan Freeman.
Há mais ou menos dois anos, escrevi um post comentando sugestões de mascotes e símbolos para o rugby brasileiro. O assunto surgiu durante a transmissão de um jogo da Copa de 2007 no canal ESPN Brasil. Na ocasião, os telespectadores mandaram emails com as suas sugestões, que foram lidos pelo narrador e pelo comentarista Antônio Martoni
Por algum motivo, o post acabou não sendo publicado, mas isso não significa que o cavalo passou encilhado. O blog Brasil XV lançou uma campanha para escolher um símbolo para a seleção brasileira do esporte. A iniciativa conta com o apoio de vários sites e blogs de rugby no Brasil, incluindo Rugby Mania, Blog do Martoni, Blog do Rugby, Rugby Coaching Brasil, RugbieRS, Recife RC e Rugby de Lingerie Sensual, digo, Rugby de Calcinha. Deixaram 80 Minutos de fora, os crápulas! Creio que a freqüência quase mensal dos posts tenha influenciado tal decisão…
Para participar da votação, basta acessar o Brasil XV e deixar a sua sugestão. Há uma lista no lado direito com as ideias enviadas pelos usuários até o presente momento. Algumas bem interessantes, outras nem tanto… Mas o importante é sugerir, mesmo que pareça bobagem em um primeiro momento.
Abaixo, a primeira parte do post que escrevi dois anos atrás, comentando as principais sugestões enviadas pelos espectadores:
Tatu
Bicho simpático! Gostei muito! No entanto, devemos atentar ao fato de que o tatu se parece demais com uma bola de rugby. Aliás, é precisamente esse o motivo que levou o animal a ser cogitado como mascote. Seríamos a única seleção cujo mascote não incorpora um ficticio atleta do esporte, mas sim o projétil com o qual ele é jogado. Na minha opinião, ficaria meio estranho. Seria mais ou menos como a seleção de futebol da Holanda adotar uma laranja-de-umbigo como mascote.
Tamanduá
Outro bicho legal demais! Além disso, é mais brasileiro que fazer conchavo!
O tamanduá tem de tudo: um belo narigão, uma dieta baseada em pequenos invertebrados e uma exuberante pelagem! No entanto, o lobby da ferocidade pode imperar, prejudicando o pacato animal. Alguém poderá argumentar que os mascotes de África do Sul e Austrália estão longe de ser animais sanguinários e impiedosos. Porém, tanto o Springbok quanto o Wallaby possuem grande agilidade e rapidez, virtudes fundamentais no jogo de rugby. O tamanduá ainda não tem isso a seu favor. Obrigado por nada, seleção natural.
Arara-Azul
Próximo.
Onça-Pintada
Talvez você não tenha percebido ainda, mas originalmente esse era o mascote da seleção argentina, tanto que até hoje está no distintivo. Devido à ignorância dos anglófonos, que não conheciam o animal, ele acabou sendochamado de “puma” mesmo.
Como os nossos vizinhos resolveram assumir de vez que são amigos da onça, não vejo nenhum motivo para esse animal ser eleito o mascote. No entanto, é bom deixar ligado o sinal de alerta, pois brasileiros costumam tomar decisões no calor do momento, sem pensar nas conseqüências. Lembram das novas moedas do Real, que foram eleitas em votação no Fantástico? Tudo bem que as moedas escolhidas eram as mais bonitas, mas votação no Fantástico? E se resolvem fazer o mesmo com a instauração da pena de morte para quem rouba pão?
Índio
É válido, mas não deixa de ser um tanto hipócrita, já que, no Brasil, o rugby é um esporte dos brancos de classe média alta. O que é uma pena, pois tenho certeza que muito índio amazônico se daria bem no rugby. Lembro de uma reportagem que vi certa vez, sobre uma espécie de Olimpiada Indígena que uma tribo do Alto Xingu realizava todos os anos. Um dos esportes de maior destaque era uma corrida onde os participantes precisavam completar o percurso carregando uma tora. Certamente quem corre carregando tora, tiraria de letra correr carregando bola, com o perdão dessa tenebrosa rima.
A evocação do índio como símbolo de bravura não deixa de ser um tanto oportunista. Coisa de romance do José de Alencar. Algo que brasileiro gosta de fazer de vez em quando para fingir uma suposta ausência de racismo no país.
Não somente o Índio, mas também o Africano e o Europeu, representando a miscigenação do povo brasileiro, esta sim sua principal força.
Parece mentira, mas alguém sugeriu essa inmascoticável idéia. Gostaria de lembrar a esta pessoa que estamos escolhendo 1 (um) símbolo para a seleção de rugby e não um samba-enredo para o Carnaval carioca. Se continuar assim, a próxima sugestão de mascote vai ser um prato de feijoada.
80 Minutos traz 3 notícias para seus leitores: uma muito boa, uma muita ruim e uma bem brasileirinha, cheia de suíngue, pecado e malandragem!
A notícia ruim é que o Rio de Janeiro sediará as Olimpíadas de 2016. Contrariando o establishment brasileiro, este blog é contrário à realização de megaeventos esportivos em um país analfabeto e desdentado como o nosso.
Paradoxalmente, essa péssima notícia, que foi anunciada com ares de bufonaria pelos patifes de sempre, acabou dando um sabor todo especial à boa nova que viemos anunciar: O rugby retornará aos Jogos Olímpicos, depois de quase um século de ausência.E o melhor: fará sua reestreia justamente no Brasil, em 2016!
Inicialmente, somente a versão Sevens integrará o evento (versão mais rápida e dinâmica do rugby, com sete jogadores de cada lado). Ao todo, 12 equipes irão participar do torneio, nas versões masculina e feminina.
O torneio durará 4 dias e parece que vai integrar a programação dos esportes olímpicos festivos. Aqueles esportes do tipo vôlei de praia, com locutor enchendo o saco da torcida aos berros e Beyoncé tocando ao fundo. É o que indica o comentário do secretário-geral da IRB, Mike Miller: “O rugby (sevens) e o Rio foram feitos um para o outro: ótimo ambiente, ótimo esporte e muita diversão. Acho que estas Olimpíadas vão ser sobre isso.” Miller tem razão. As Olimpíadas do Rio vão ser uma diversão só, principalmente para dono de empreiteira.
Por fim, a notícia brasileirinha é que as partidas de rugby serão realizadas no São Januário! Não faz nem uma semana que o Rio de Janeiro foi confirmado como sede e já começou a politicagem (abaixo, foto do palco do rugby sevens nas Olimpíadas de 2016).
É aquela coisa: coloca o rugby no estádio do Vashcão, aí já mete uns tapume, faz uma reforma e dá uma guaribada na maloca. E tudo isso com dinheiro público. (Fique atento às notícias, pois em breve até o Madureira vai tirar uma casquinha).
De qualquer forma, a volta do rugby para as Olimpíadas é uma notícia sensacional para o desenvolvimento deste esporte amazonicamente desconhecido no Brasil. Temos o hábito de esculachar a IRB quase que semanalmente neste blog, mas desta vez os velhotes acertaram em cheio ao fazer lobby no COI! Parabéns, anciãos!
Pelo jeito, a instituição da flanelagem não é um privilégio do Brasil. Na Argentina, os implacáveis flanelinhas (ou flanelitas, já que são argentinos) também aprontam as suas, pedindo doações para quem estaciona o carro em áreas controladas e cometendo outros tipos de crimes.
Na última quarta dois jogadores de rugby foram baleados por uma dupla de flanelitas no bairro de San Isidro, em Buenos Aires. Sebastian Abadie e Juan Patricio Glitz, forwards do San Fernando, levaram chumbo ao tentar adiar o pagamento da contribuição aos guardadores de carro.
Os jogadores estavam indo realizar o benfazejo Terceiro Tempo em um boliche da região, quando foram tackleados pelas mazelas sociais da América Latina.
Abadie, de 19 anos, levou dois balaços: o primeiro atravessou o corpo sem atingir órgãos vitais, enquanto o segundo atingiu a perna, na região logo abaixo da rótula. Apesar disso, a bala foi extraida sem maiores problemas pelos médicos e parece não ter comprometido as articulações do atleta.
A situação de Glitz, asa de 29 anos, é mais desagradável. O jogador foi alvejado uma vez e teve parte do dedo indicador destruída pelo projétil.
Abadie afirmou em entrevista ao site Rugby Fun que foi interceptado pela dupla de cuidacoches na entrada do boliche. Os forwards do San Fernando disseram que só iriam ver se os amigos estavam no local e que pagariam a extorsão, caso encontrassem alguém lá. A conversa não colou para os flanelitas, que disseram “Pagás ahora o te rompemos todo el auto”. Após uma discussão, um dos meliantes sacou uma 22 e disparou várias vezes contra os jogadores, acertando 3 tiros.
Os criminosos foram capturados pela polícia de Buenos Aires e, vejam só, libertados logo em seguida por serem menores de idade. Pelo jeito, a instituição da impunidade histérica não é privilégio apenas do Brasil. Soy loco por ti América!
A África do Sul vai ter que deixar a mão na taça por mais tempo, depois do resultado de sábado contra a Austrália.
Os Springboks perderam por 21 a 6, e agora vão precisar conquistar os dois pontos restantes em um difícil jogo contra a Nova Zelândia, fora de casa. Caso não consigam os dois pontos, os sul-africanos dependerão de resultados paralelos para garantirem o troféu.
Os All Blacks ainda tem chance de vencer o torneio, mas precisarão ganhar os dois jogos que restam, marcando pontos de bonificação. Os Wallabies já estão fora da disputa e jogam para cumprir tabela.
Depois de derrotar os Wallabies em Perth por 32 a 25, dominando amplamente a partida, os Springboks amargaram uma derrota cheia de erros para o lanterna do Três Nações. A Austrália havia perdido os 4 primeiros jogos, e vencer pelo menos uma em casa era questão de honra para os Wallabies.
Com uma equipe repleta de modificações, os australianos sairam na frente com dois penais de Matt Giteau. A África do Sul respondeu com 6 pontos de Morne Steyn (drop e penal). No entanto, a reação sul-africana parou por aí. O primeiro try da partida foi marcado no segundo tempo por Adam Ashley Cooper, após um belo passe de Berrick Barnes.
O segundo try australiano veio no final da partida, aos 36 do 2o. tempo, logo depois de um festival de erros dos Springboks. A bola ficou queimando nas mãos dos sul-africanos após forte pressão australiana, e o scrum-half Fourie Du Preez perdeu a bola na frente de James O’Connor, que aproveitou a oportunidade para liquidar a fatura do lado dos Wallabies.
AUSTRÁLIA: 21
Tries: Adam Ashley Cooper, James O’Connor
Conversão: Matt Giteau
Pênaltis: Matt Giteau (2)
Drop Goal: Matt Giteau
ÁFRICA DO SUL: 6
Pênalti: Morne Steyn
Drop Goal: Morne Steyn
PRÓXIMOS JOGOS:
12/09 - Nova Zelândia x África do Sul - Hamilton, Nova Zelândia
19/09 - Nova Zelândia x Austrália - Wellington, Nova Zelândia
CLASSIFICAÇÃO:
1. África do Sul: 17 pontos, 5 jogos, 4 vitórias
2. Nova Zelândia: 8 pontos, 4 jogos, 2 vitórias
3. Austrália: 7 pontos, 5 jogos, 1 vitória
A notícia é velha, mas não podemos deixar de comentar, depois de tão extenso e vagabundo hiato: não foi dessa vez que o establishment ultra-conservador da IRB resolveu inovar. Quem sediará a Copa de 2015 será a Inglaterra, enquanto o Japão ficará com a de 2019.
Pelo menos o Japão foi escolhido para uma das Copas, o que já é um começo para os velhotes da IRB.
Os motivos da escolha da Inglaterra são predominentemente econômicos, já que a Copa de Rugby é o carro-chefe da entidade, e o lucro é fundamental.
A Inglaterra é uma das “zonas de conforto” da IRB, e o lucro de um evento na patria-mãe do rugby é praticamente garantido. Para vencer a candidatura, a Inglaterra precisou derrotar a Itália, nação emergente no rugby, onde o esporte apresenta bom potencial de crescimento.
As razões para a escolha da Inglaterra são compreensíveis. No entanto, uma Copa do Mundo na Itália atrairia muitos turistas das Ilhas Britânicas e da França. Assim, é difícil acreditar que o evento não seria igualmente lucrativo.
Aliás, como panelinha é sinônimo de IRB, uma eventual Copa na Itália poderia contar com algumas cidades-sedes localizadas no sul da França, região onde o rugby é extremamente popular. A estratégia não seria novidade, já que Copas com jogos em trocentos países diferentes são lugar-comum no rugby, o que só reforça a tese de que o rugby é o esporte mais sectário do planeta.
É aquela coisa, para a Dona Escócia apoiar a candidatura da Dona Inglaterra, tem que ter pelo menos uma meia dúzia de jogos em Edimburgo, etc.
Com a confirmação da Copa de Rugby na Inglaterra, em 2015, a Terra da Rainha já conta com 3 grandes eventos esportivos para a próxima década. Os outros dois são as Olímpiadas de Londres em 2012 e a Copa do Mundo de Rugby League em 2013. Alguém aí realmente acha que a Inglaterra não vai levar a Copa do Mundo de Futebol em 2018?